Aceitar algo é, em termos gerais, compreender e lidar com as circunstâncias, sejam boas ou difíceis. Em muitos aspectos da vida, podemos “aceitar” situações como finanças complicadas, relacionamentos problemáticos ou empregos insatisfatórios. No entanto, na psicologia, a aceitação é definida como “assumir uma postura de consciência sem julgamento e abraçar ativamente a experiência de pensamentos, sentimentos e sensações corporais conforme ocorrem” (Hayes et al., 2004).
Uma ideia central da aceitação é que as emoções difíceis são inevitáveis na vida: em diversos momentos, todos nós experimentamos sentimentos de tristeza, raiva, desapontamento, frustração, sofrimento e dor emocional. Essas emoções são universais e fazem parte da experiência humana. Quando essas emoções surgem, temos duas maneiras de reagir: resistir ou aceitar. Muitas vezes, nossa tendência é resistir, pois essas emoções não são agradáveis. No entanto, estudos psicológicos mostram que tentar resistir ou evitar essas experiências pode, na verdade, causar mais danos psicológicos (Hayes et al., 2006).
A aceitação envolve lidar com as emoções de forma aberta e sem julgamento, reconhecendo que as emoções difíceis fazem parte da vida e podem ser vivenciadas sem que isso nos controle. Esse processo de aceitação é fundamental para lidar com as situações difíceis de maneira mais saudável, permitindo-nos seguir em frente e encontrar equilíbrio, ao invés de sermos dominados pela resistência e pelo sofrimento emocional.
Como praticar a aceitação: Benefícios e estratégias

A aceitação é uma habilidade poderosa que pode transformar a maneira como lidamos com as emoções e desafios da vida. Em psicologia, aceitação significa abraçar ativamente nossas experiências — pensamentos, sentimentos e sensações corporais — sem julgamentos (Hayes et al., 2004). Emoções difíceis, como tristeza, raiva e frustração, são inevitáveis, e a forma como reagimos a elas pode impactar nosso bem-estar. Enquanto a resistência é uma reação comum, especialistas afirmam que a aceitação é a escolha mais saudável, ajudando a reduzir o sofrimento psicológico (Hayes et al., 2006).
Por que a aceitação é importante?
Tara Brach, psicóloga e autora, destaca que acreditar que algo está errado conosco gera um sofrimento profundo. Aceitar nossas emoções e experiências, mesmo as mais desafiadoras, é essencial para o bem-estar. Refletir sobre como nos tratamos em momentos difíceis é um primeiro passo importante. Pergunte-se:
- Você já se criticou severamente por um erro ou situação embaraçosa?
- Já se frustrou por sentir emoções intensas?
- Como você pode ser mais gentil e compreensivo consigo mesmo?
Estratégias para cultivar a aceitação

- Observe sua resistência: Identifique como você evita emoções difíceis. Por exemplo, você come para distrair-se do tédio ou assiste TV para fugir da tristeza? Tornar-se consciente desses padrões é o primeiro passo para mudá-los.
- Questionar seus padrões: Reflita sobre como suas experiências passadas moldaram sua relação com as emoções. Como os adultos ao seu redor reagiam quando você era criança? Essas experiências podem ter influenciado sua maneira de processar sentimentos hoje.
- Pratique a atenção plena: A atenção plena envolve observar a experiência presente sem julgamentos. Meditação é uma prática comum, mas você pode incorporar momentos de consciência no dia a dia, como ao caminhar ou comer.
- Pense na sua criança interior: Muitas vezes, somos críticos severos de nós mesmos. Imaginar-se como uma criança pode ajudar a cultivar autocompaixão, lembrando-se de sua vulnerabilidade e inocência.
- Pratique regularmente: A aceitação é uma habilidade que se fortalece com a prática. Repetir escolhas mentais de aceitação torna-as naturais e menos desgastantes ao longo do tempo.
Aceitação em relacionamentos
A aceitação também é crucial nos relacionamentos. Por exemplo, ao lidar com a sexualidade de um filho, demonstrar apoio e compreensão fortalece os laços familiares. JP Brammer, ativista e escritor, sugere evitar mudar de assunto quando o assunto surge e tratar parceiros de filhos LGBTQ+ com a mesma naturalidade que os de filhos heterossexuais. A proximidade e o diálogo aberto promovem a aceitação e melhoram os relacionamentos.
Terapia de aceitação e compromisso (ACT)

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem psicoterapêutica que ensina os clientes a aceitarem suas emoções, em vez de evitá-las ou lutar contra elas. Desenvolvida por Steven C. Hayes na década de 1980, a ACT busca promover a flexibilidade psicológica, ou seja, a capacidade de adaptar pensamentos e comportamentos para viver de acordo com valores e objetivos pessoais, independentemente das emoções ou dificuldades enfrentadas.
O ACT é utilizado no tratamento de diversos problemas como transtornos de ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), dor crônica, estresse e uso de substâncias. Durante a terapia, o cliente aprende a reconhecer e aceitar seus pensamentos e sentimentos sem julgamento, além de identificar comportamentos que precisam ser modificados para alcançar mudanças positivas.
A ACT envolve seis processos principais:
- Aceitação: Envolve aceitar todos os pensamentos e emoções, sem tentar evitá-los ou mudá-los.
- Desfusão cognitiva: Distanciar-se dos pensamentos e emoções perturbadores, alterando a forma de reagir a eles.
- Estar presente: Focar no momento presente, observando pensamentos e sentimentos sem julgamentos.
- O eu como contexto: Ver-se como mais do que seus pensamentos e emoções, reconhecendo sua identidade além desses aspectos.
- Valores: Identificar e viver de acordo com os valores pessoais, em vez de agir por medo ou para atender às expectativas externas.
- Ação comprometida: Tomar medidas concretas para viver de acordo com os valores, mesmo diante de dificuldades emocionais.
O objetivo da ACT é ajudar os clientes a agirem de maneira mais alinhada com seus valores, aceitando suas experiências internas sem permitir que elas determinem suas ações. Para encontrar um terapeuta de ACT, é importante procurar um profissional qualificado, como um psicólogo ou conselheiro, com experiência na abordagem.
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