Por que não me sinto um adulto de verdade?
Imagine uma amiga chamada Ana, de 45 anos. Ela é uma executiva bem-sucedida, mãe de dois adolescentes e casada há 20 anos. Apesar de sua carreira estável e vida familiar aparentemente perfeita, Ana confidenciou que ainda não se sente uma “adulta de verdade”. Ela lembra de seus pais, que pareciam tão seguros e no controle quando ela era criança. Hoje, ela se vê lutando com as mesmas dúvidas e incertezas que sempre teve, e se pergunta: “Quando vou finalmente me sentir como eles?”
1. Mudanças sociais nos marcos da vida adulta

Parte dessa desconexão está ligada a mudanças sociais. Hoje, os jovens se casam e têm filhos mais tarde, prolongam os estudos e adiam a compra da primeira casa. Em 1981, a idade média para comprar um imóvel era 29 anos; em 2022, subiu para 36. Ter filhos mais tarde também significa adiar a vida de avós: quem se torna pai aos 25 pode ser avô aos 50, enquanto quem espera até os 35 pode chegar aos 70 antes de ter um neto.
No entanto, esses atrasos não explicam totalmente por que muitos de nós continuam a se sentir “não adultos”, mesmo após alcançar marcos tradicionais, como casamento, filhos e estabilidade financeira.
2. O mundo parece o mesmo
Outra razão é que, internamente, o mundo não parece tão diferente de quando éramos mais jovens. A perspectiva em primeira pessoa — como vivenciamos o dia a dia — não mudou drasticamente. Por isso, frases como “Não me sinto com 40” ou “Ainda me sinto como na faculdade” são tão comuns.
Marcadores externos da vida adulta, como um relacionamento estável, uma casa ou um emprego fixo, nem sempre alteram nosso senso fundamental de identidade. Sabemos que somos adultos, mas isso não se traduz em uma sensação interna de “ser adulto”.
3. Gostos e preferências que não mudam
Nossas preferências são frequentemente definidas na adolescência ou no início da vida adulta. Por exemplo, nossa “identidade musical” tende a ser moldada pelas músicas que ouvimos entre os 10 e 20 anos.
Isso também se aplica a outros aspectos, como:
- Esportes que assistimos;
- Estilo de vestir;
- Atração por certos tipos de pessoas;
- Gostos culinários;
- Suposições sobre a vida.
Embora evoluamos com o tempo, muitas de nossas características permanecem surpreendentemente estáveis.
4. As impressões da infância sobre os adultos
A principal razão para não nos sentirmos adultos pode vir das impressões que tínhamos dos adultos quando éramos crianças. Na infância, os adultos pareciam gigantes: cheios de conhecimento, autoridade e controle. Eles aparentavam ter todas as respostas para as grandes questões da vida.
Agora, como adultos, sabemos que não temos todas as respostas. E isso cria uma dissonância: esperamos nos sentires como aqueles adultos “míticos” da nossa infância, mas a realidade é que a vida adulta é cheia de dúvidas, incertezas e aprendizados constantes.
A verdade sobre ser adulto

Aqui está o segredo: aqueles adultos que admirávamos na infância também não tinham tudo sob controle. As pessoas que você admira já lutou contra dúvidas, traumas e o estresse de estar vivo. Professores, médicos, treinadores — todos aqueles adultos que pareciam tão confiantes eram, na verdade, humanos falíveis fazendo o melhor que podiam.
Então, talvez já sejamos adultos — mas “sentir-se adulto” não é o que imaginávamos. Não há um momento mágico em que tudo se encaixa. Ser adulto é exatamente isso: viver com toda a confusão, insegurança e alegria que fazem parte da experiência humana.
Se você é uma pessoa adulta, a maneira como se sente é como se sente um adulto. E isso está tudo bem. Afinal, os adultos que você admirava eram tão humanos quanto você. Eles também estavam aprendendo, errando e crescendo — assim como você está agora.