O caos e a adversidade na infância podem ter efeitos duradouros. Ao conversar com pessoas sobre conflitos, nunca ouvi alguém dizer: “Eu sou o principal responsável pelo problema. Por que sou tão difícil?” Em vez disso, a maioria busca formas de mudar as crenças ou comportamentos dos outros. Frequentemente, acreditam que a outra pessoa nunca mudará. São vistas como inalcançáveis, problemáticas ou até mesmo horríveis. Curiosamente, todos os lados tendem a pensar assim. Imagine a seguinte situação: você encontra um amigo para um café e ele começa a desabafar sobre um colega de trabalho insuportável. Já se perguntou o que esse colega conta sobre ele para outras pessoas? Quando enxergamos o outro como “o problema”, perpetuamos padrões destrutivos de conflito. Parece que o ciclo nunca mudará, pois acreditamos que as pessoas não mudam. Mas a verdade é que elas mudam — o tempo todo.
O Poder da Mudança

A mudança é uma das poucas certezas da vida. Por mais que acreditemos que nossa personalidade, crenças ou circunstâncias sejam imutáveis, estamos em constante transformação. Às vezes, essa mudança acontece de forma gradual, quase imperceptível, moldada pelas experiências e pelo tempo. Outras vezes, um único evento, uma conversa ou até mesmo um livro pode abrir novos caminhos e provocar uma reviravolta inesperada.
A maioria de nós subestima a capacidade de mudança. Um estudo revelou que as pessoas acreditam que sua personalidade é fixa, mas isso não é verdade.
20 sinais a seguir de uma vida familiar difícil no início são baseados em pesquisas:

- Conflitos constantes em casa – Discussões frequentes entre familiares criam um ambiente instável.
- Falta de apoio emocional – Sentir que suas emoções não eram validadas ou compreendidas.
- Críticas excessivas – Crescer ouvindo que nunca é bom o suficiente.
- Ambiente de tensão e medo – Estar sempre alerta para evitar brigas ou punições.
- Negligência emocional ou física – Pais ou responsáveis indisponíveis para atender às necessidades básicas.
- Pais autoritários ou controladores – Pouca liberdade para expressar opiniões ou tomar decisões.
- Ser forçado a amadurecer cedo – Assumir responsabilidades de adulto na infância.
- Comparações frequentes com outras pessoas – Sentir-se inferior por nunca atender às expectativas.
- Falta de demonstração de afeto – Crescer sem abraços, elogios ou demonstrações de amor.
- Pais imprevisíveis ou voláteis – Mudanças bruscas de humor dificultam a previsibilidade do ambiente familiar.
- Viver em um ambiente de escassez – Necessidades básicas frequentemente não atendidas.
- Ser ensinado a reprimir sentimentos – Expressar tristeza, raiva ou medo era visto como fraqueza.
- Não ter um modelo positivo de resolução de conflitos – Crescer vendo brigas intensas ou manipulações.
- Sentir-se invisível ou sem voz – Opiniões e sentimentos desconsiderados dentro de casa.
- Falta de estabilidade e segurança – Mudanças frequentes de casa, escola ou cuidadores.
- Crescer acreditando que as pessoas não mudam – Aprender a ver conflitos como permanentes e insolúveis.
- Ter que agradar os outros para evitar conflitos – Sentir que precisa sempre ceder para manter a paz em casa.
- Pais emocionalmente indisponíveis – Responsáveis que não demonstram interesse pelos sentimentos e desafios da criança.
- Falta de reconhecimento das conquistas – Esforços e sucessos minimizados ou ignorados, gerando insegurança.
- Viver sob regras inconsistentes – Normas que mudam de acordo com o humor dos responsáveis, gerando confusão e insegurança.
A Possibilidade de Mudar

Pesquisas indicam que mudar a própria personalidade é difícil, mas possível. Estudantes que participaram de estudos sobre mudanças de comportamento apresentaram transformações em apenas quatro meses, tanto em testes de personalidade quanto em suas ações diárias.
A mudança exige diversos fatores, e o mesmo ocorre com a estagnação. Muitas vezes, não mudamos por causa de hábitos repetitivos e ambientes previsíveis. Uma maneira de quebrar padrões de conflito é alterar o contexto. Em vez de discutir sentados, que tal uma caminhada junto?
Outra abordagem é reformular a situação. Encontre valores, sentimentos e necessidades em comum. Evite rótulos simplistas que cristalizam a visão que temos do outro.
Pesquisadores alertam que expressões rígidas podem distorcer a realidade e intensificar conflitos. Um exemplo é o termo “masculinidade tóxica”, que pode gerar frustração por ter diferentes interpretações. Além disso, estudos mostram que a masculinidade está em transformação, até mesmo entre grupos tradicionalmente ligados ao individualismo e estoicismo. Usar termos fixos pode dar a falsa impressão de que nada está mudando.
Conflitos Podem Evoluir
Não há garantias de que um conflito específico será resolvido, mas é libertador abandonar a crença de que nada pode mudar. Transformações estão acontecendo o tempo todo. A chave é reconhecer que, assim como os problemas não surgem de uma única fonte, as soluções também não são fixas. O primeiro passo é estar aberto à mudança.